Aracy Arnaud Sampaio " Enfermeira da FEB"

Aracy nasceu em Barreiras-Bahia em 19.10.1917 e faleceu em Brasilia em 08.09.2008, durante a Convenção dos Veteranos da FEB que se realizava na Capital Federal, às vésperas de completar 91 anos. Toda a sua vida foi marcada por dedicação à família e participação na Diretoria da ANVFEB e da Associação dos Ex-Combatentes em Belém do Pará e  Brasília-DF.

Desistiu da faculdade de Ciências Econômicas após o segundo ano para inscrever-se no curso de Enfermagem  em Salvador. Diplomou-se em 1942 e trabalhou  no Hospital Sta. Izabel e no da Cruz Vermelha, nesse último cuidando das vítimas de torpedeamentos nas costas da Bahia. Quando o Exercito Brasileiro abriu o voluntariado para mulheres participou do  curso de Adaptação. Foi a primeira colocada  na 6ª Região Militar, tendo os jornais da época enfatizado o fato dela ser descendente do General Sampaio, patrono da Infantaria Brasileira, herói da Guerra do Paraguai.

Enquanto aguardava  convocação trabalhou no Hospital Militar da Bahia.  Juntamente com mais quatro enfermeiras embarcou num navio comboiado por dois destroiers rumo ao Rio de Janeiro, viagem tensa por  risco de  ataques alemães, não sendo permitido acender luzes e a obrigatoriedade de uso permanente do colete salva-vidas. 

Em 19 de outubro de 1944 ( dia de seu 27º aniversário) partiu de avião do Rio de Janeiro juntamente com dezoito colegas tendo como destino a Europa.

Serviu como enfermeira no 7º th. Station Hospital em  Livorno ( na Enfermaria E-22) onde ficavam os oficiais feridos das Nações Aliadas. Dos  que lá estiveram internados cita em seu diário: “Dentre os muitos heróis, lembro-me com mais carinho do Mario Márcio Fontanilas da Cunha, campeão sul americano de salto com barreiras, que esteve por mais de três meses ao meus cuidados. Também o Major Bueno Teixeirense, o herói de Abetaia, ferido no campo da luta por estilhaços de granada que lhe perfuraram um pulmão; o Capitão Yedo Jacob Blougth que perdeu uma perna; foram tantos …..o Capitão Jerônimo Travassos  e o Tenente Tulio também perderam  uma perna”.

 “Para os 60 doentes que sempre ocupavam a E-22 eu era a amiga e serviçal, além de Enfermeira. Escrevia para as mães, esposas, noivas e irmãs dos que não podiam fazê-lo pessoalmente. Ia à “Red Cross” buscar-lhes bombons, chiquetes, revistas, etc. Lia para eles , cantava para alegrá-los, enfim, de de varias maneiras procurava servir-lhes e cumprir meu dever. 

Em fevereiro, após a Tomada de Monte Castelo, baluarte onde os alemães se estabeleceram e de onde mataram muitos soldados, o hospital esteve lotado e o trabalho foi árduo. No dia 8 de maio de 1945, fomos surpreendidos com apitos, buzinas, música e gritos entusiásticos em várias línguas: Finish war – Finita la guerra – A guerra acabou!

Foi imensa  a alegria geral e chorando todos se abraçavam. O que no momento sentimos não posso descrever; foi alegria, orgulho, tristeza. Alegria por havermos alcançado a vitória, orgulho por nos sentirmos responsáveis em haver cooperado para esse fim e, tristeza por saber que iríamos deixar aquele país maravilhoso e separarmo-nos de colegas e amigos a quem estávamos unidos pelo mesmo sofrimento e mesmo ideal.

Em junho fizemos a viagem de regresso, também de avião, parando nos mesmos lugares e permanecendo em Casa Blanca uns quinze dias. Passeamos muito, felizes e orgulhosas  e num belo dia de sol, tomamos o avião que nos traria para o Brasil”. Em seu retorno ao Brasil Aracy  Arnaud Sampaio não pode continuar no serviço regular do Exército, sendo reformada em consequência da perda de audição com a explosão de uma mina, no hospital em que trabalhava, estando ela no momento dentro do compartimento da ala de cirurgia acompanhando um paciente. De volta ao Rio de Janeiro, após a guerra, apaixonou-se por  Carlos Martins de Barros, com quem teve seis filhos, todos honrados por possuírem uma mãe com tantos predicados, principalmente por ser integrante do corpo feminino do Exército da Força Expedicionária Brasileira.   Deixou-nos grandes ensinamentos e uma escancarada alegria de viver!. Em  seu resumo biográfico, conclusão do Curso Rejuvenescer a Velhice na Universidade Nacional de Brasília (UNB) escreveu:

 “Devemos continuar a aproveitar tudo de bom que a vida nos oferece.

Sejamos gratos ao Criador e agradeçamos pela vida e por todos os dons recebidos através dela.

Quando chegar nossa hora final, oxalá possamos dizer ou pensar:

Obrigada Senhor, eu vivi!"

Aracy 

Aracy aos 91 anos, um mês antes do seu falecimento

"A Paraná Militaria na luta de preservação da história desta guerreira e suas 72 companheiras, enfermeiras da FEB, e todos os nossos queridos pracinhas, que deixaram o conforto de suas casas, para lutar no desconhecido, pela Liberdade do Mundo"
Viva a FEB, nossa história, nosso orgulho.

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